A Espada Viking: Status, Aço e Animismo

Embora as chamemos de "Espadas viking", o centro da produção de espadas estava no Reino Carolíngio (atual França e Alemanha). As lâminas francas eram tão superiores que Carlos Magno e seus sucessores tentaram proibir sua exportação para evitar que seus inimigos—incluindo os Vikingos—pudessem se armar com elas.

  • Símbolo de Status: No século IX, uma espada com bainha valia aproximadamente 7 sólidos (cerca de $1.300). Isto era exclusivamente reservado para a aristocracia (Jarls) e fazendeiros prósperos (Karls).

  • Distribuição: Através do comércio, pilhagem e resgate, essas lâminas se espalharam da Escandinávia até o interior da Rússia (Bulgária do Volga).

Metalurgia: Do Pattern-Welding ao Aço Fundido


A construção de espadas passou por uma grande mudança técnica neste período:


  1. Pattern-welding (até o século IX): Porque o aço puro era escasso, hastes de ferro e aço eram entrelaçadas e forjadas juntas. Isto criava um padrão ondulado na lâmina, frequentemente chamado de "falso aço damasco".

  2. Aço Fundido (após o ano 1000): Por meio de contatos melhorados com a Ásia Central, aço fundido de alto grau tornou-se disponível. Isto permitiu lâminas mais finas, leves e pontiagudas sem perder força.

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A Espada Animada: Animismo e Rituais


Para os Vikingos, uma espada não era um objeto morto, mas um ser animado. Esta cosmovisão animista dava às espadas uma identidade própria:


  • Nomes: Espadas famosas recebiam nomes como Mordedor de Ossos ou Aperto de Ouro.

  • O "Morte" de Espadas: Nos funerais, a lâmina de uma espada era frequentemente curvada ritualmente. Com isto, a espada era simbolicamente 'morta' para acompanhar seu dono para o além.

Inscrições e a Lendária Ulfberht


Um dos desenvolvimentos mais fascinantes foi a aplicação de inscrições na lâmina. As mais conhecidas são as espadas +VLFBERHT+.


  • Aproximadamente 167 exemplares são conhecidos, principalmente da Escandinávia.

  • Elas representam uma das primeiras 'marcas' do mundo: uma garantia de aço da mais alta qualidade.

  • No século XI, inscrições cristãs foram adicionadas, como In Nomine Domini (Em nome do Senhor).

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Classificação: A Tipologia de Petersen


O arqueólogo norueguês Jan Petersen estabeleceu em 1919 um sistema (A a Z) para datar espadas com base em sua empunhadura (cabo e pomo).

Os Períodos Principais:

  • Período Viking Inicial (750–900): Caracterizado por pômulos massivos de três lobos e barras de proteção curtas (por ex. Tipo A e B).

  • Auge (850–950): Empunhaduras ricamente decoradas com incrustações de prata e cobre (por ex. Tipo H e S). O Tipo H é um dos tipos mais encontrados na Noruega.

  • Período Viking Tardio (950–1100): A transição para a espada de cavaleiro. Os pômulos ficam mais simples, frequentemente em forma de disco, e as barras de proteção mais longas (por ex. Tipo X e Æ).

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Tipo B (ca. 775–900)


Parece com A mas mais esbelto. O pomo tem um lóbulo central mais distinto. A barra de proteção é um pouco mais longa e geralmente mais ricamente decorada. Este tipo era popular na vikingtijd inicial.

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Tipo C (ca. 800–950)


A espada tinha um pomo característico, largo e plano, com três lóbulos nitidamente separados. A barra de proteção era curta, larga e plana. Este tipo de espada era amplamente encontrado na Escandinávia.

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Tipo D (ca. 800–950)


O pomo tinha três lóbulos, frequentemente com incrustações decorativas, com o lóbulo central proeminentemente voltado para a frente. A barra de proteção era um pouco mais elegante e mais longa. Este tipo era frequentemente encontrado na Noruega.

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Tipo E (ca. 800–950)


O pomo era compacto, geralmente uma única peça arredondada com leves espessamentos. A barra de proteção era curta e grossa, frequentemente simples e funcional no design.

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Tipo F (ca. 800–950)


O pomo era pesado, de três folhas, horizontal e largo. A barra de proteção era curta e reta. A espada era robusta e relativamente simples no design, típica das espadas viking.

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Tipo G (ca. 850–950)


A cabeça era uma forma de três folhas mais elegante, com o lóbulo do meio claramente maior. A barra de proteção era mais esbelta e às vezes curva. A espada era frequentemente ricamente decorada com incrustações de prata ou cobre.

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Tipo H (ca. 850–950)


O pomo era largo e tinha três lóbulos, com o lóbulo do meio quase tão grande quanto os lóbulos laterais. A barra de proteção era larga e plana. Este tipo era muito comum na Noruega e Suécia.

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Tipo I (ca. 850–950)


O pomo era simples e largo, sem lóbulos distintos, às vezes levemente arredondado ou angular. A barra de proteção era curta e curvada em direção à lâmina. Este tipo era muito comum na Suécia.

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Tipo J (ca. 850–1000)


Este tipo se assemelhava ao tipo I, mas era frequentemente mais angular. O pomo era largo e espesso, a barra de proteção curta e robusta. Era muito encontrado na Finlândia e na região Báltica.

Tipo K (ca. 900–1000)


O pomo consistia em cinco partes (cinco lóbulos) e às vezes era lindamente decorado com incrustações. A barra de proteção era larga e curta. Este tipo era popular no Reno e regiões adjacentes.

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Tipo L (ca. 950–1050)


O pomo tinha forma triangular ou piramidal, frequentemente oco por dentro. A barra de proteção era curta e grossa. A espada tinha um design limpo, típico do período viking tardio.

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Tipo M (ca. 950–1050)


O pomo era oval ou quase redondo, frequentemente plano. A barra de proteção era simples e reta. A espada era simples mas eficaz e era muito encontrada na Escandinávia.

Tipo N (ca. 950–1050)


O pomo era angular, trapezoidal ou em forma de bloco. A barra de proteção era curta e frequentemente pesada. A espada tinha um estilo compacto, típico do período viking tardio.

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Tipo O (ca. 950–1050)


O pomo era largo e retangular, às vezes com uma divisão horizontal. A barra de proteção era reta e larga. Este tipo era conhecido nas regiões orientais, inclusive na Rússia.

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Tipo P (ca. 950–1050)


O pomo era pequeno, redondo ou em forma de pera. A barra de proteção era curta e grossa. A espada era frequentemente simples e popular na Escandinávia.

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Tipo Q (ca. 950–1050)


O pomo era alongado, quase em forma de 'capacete'. A barra de proteção era simples e reta. Este tipo foi principalmente encontrado em regiões orientais e na Inglaterra.

Tipo R (ca. 950–1050)


O pomo era largo e maciço, frequentemente triangular ou trapezoidal. A barra de proteção era curta. A espada tinha um estilo compacto, típico do período viking tardio.

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Tipo S (ca. 975–1050)


O pomo consistia de múltiplos discos empilhados, geralmente três. A barra de proteção era grossa e curta, e a espada era ricamente decorada. Este tipo foi principalmente encontrado na Dinamarca e Inglaterra.

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